domingo, 6 de dezembro de 2015

Filme 'Elysium'


Reflexão crítica sobre o filme 'Elysium'

O filme retrata uma sociedade no futuro, onde a elite da Terra se transfere para uma estação espacial chamada Elysium, enquanto as classes baixa e média permanecem na Terra. 
As pessoas que continuam a viver no planeta são excluídas socialmente e destinadas a viver numa sociedade em decadência, na miséria, tendo que se submeter a qualquer tipo de trabalho, em péssimas condições e com pouca remuneração, pois a maioria das pessoas não tem emprego e se quem tivesse não se submetesse a qualquer condição existiam muitas outras que aceitariam aquele trabalho. 
Vivem também sujeitos a um sistema de saúde ineficaz, que fornece cuidados insuficientes e antiquados. Devido a isso a maioria das pessoas na cidade caso adoecessem não teriam muitas possibilidades de tratamento eficaz. 
A realidade de Elysium é oposta a essa, os moradores vivem num lugar considerado perfeito, luxuriante, onde ninguém fica doente porque as pessoas têm acesso a tecnologia que permite curar todo o tipo de doença, todos possuem muita riqueza material e a qualidade de vida é alta, não sendo permitido que qualquer morador da Terra tenha acesso à estação espacial, podendo-se assim preservar aquele estilo de vida, reservado a uma pequena minoria de privilegiados. 
Essa realidade muda quando um terrestre, chamado Max, é obrigado a realizar um procedimento no trabalho que o expõe a uma grande quantidade de radiação, e quando ele é diagnosticado com apenas uma semana de vida, tenta de todas as formas ir para Elysium, pois é a única maneira de se curar. Porém, no meio das peripécias enfrentadas até chegar ao seu destino, reencontra-se com um amor de infância - uma enfermeira que tem uma filha com leucemia que precisa de cuidados médicos que só lhe estariam disponível em Elysium - o que faz com que no momento em que ele está na estação, deixe de pensar somente na sua cura e prefira inverter essa situação para trazer igualdade para a sociedade, salvando a todos.
A questão social e as classes são retratadas no filme mostrando que os moradores de Elysium possuem muita tecnologia e riquezas enquanto os da Terra vivem na miséria e sem oportunidades. 
E a divisão das classes deve-se à divisão social do trabalho, na classe baixa quem está a trabalhar, como é o caso da personagem principal, deve submeter-se às condições que o trabalho oferece, se não, existem muitas outras pessoas disponíveis para ocupar o lugar. 
O chefe de Max, o personagem principal, não está preocupado com a saúde nem com a vida de Max (e, já agora, dos outros trabalhadores) e ele mostra isso quando o manda entrar num lugar onde ele corre o risco de exposição a radiação.
Na classe mais alta em Elysium as pessoas são individualistas, não se preocupando com as pessoas que não possuem os mesmos bens materiais e privilégios que elas. E, mais grave do que isso, vivem à custa dessas pessoas que, na Terra, têm que trabalhar para poderem sobreviver e sem terem a possibilidade de sonhar com uma vida melhor.
Esse tipo de situação retratada no filme é bastante comum na sociedade capitalista: esta é individualista, a tecnologia e os produtos consumidos não estão disponíveis para todos, não existe uma divisão igual dos bens, a sociedade é muito desigual. A burguesia beneficiada não se importa com os que têm menos recursos, limitando-se a explorar o trabalho, a mão de obra. 
Essa mesma relação de desigualdade entre as pessoas que vivem na Terra e em Elysium existe  no nosso mundo: nos países mais desenvolvidos, com alto índice de educação, de produção e de tecnologia, as pessoas alcançam níveis de bem-estar cada vez mais elevados, tendo acesso a cuidados de saúde avançados e a um sistema de proteção social que permite proteger, mais nuns países do que outros, é certo, os mais fracos; por outro lado, nos países subdesenvolvidos, que possuem a sua mão de obra explorada, a sua população vive muito pior do que a população dos países desenvolvidos. 
Mas na verdade, mesmo nas sociedades desenvolvidas, há um fosso cada vez maior a separar os mais pobres dos que têm acesso ao grosso da riqueza. Esse facto é agravado pelo desenvolvimento tecnológico que provoca a subida dos níveis de desemprego por causa da substituição do trabalho humano por soluções tecnológicas que dispensam o uso de mão de obra intensiva. 
Por outro lado, com a globalização da economia mundial tem-se assistido a uma deslocalização das fábricas que exigem mais mão de obra, dos países mais desenvolvidos, onde os custos do trabalho são mais elevados (por causa, em grande medida, duma maior proteção dos direitos dos trabalhadores),  para países onde a mão de obra é muito mais baixa, fruto das condições precárias em que as populações vivem.
Paola Marques, http://www.academia.edu/9350260/Resenha_cr%C3%ADtica_do_filme_elysium

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